Inclusão de crianças com necessidades educacionais especiais norteia debates no “1º Encontro do Grupo Compartilhe”

“A inclusão acontece quando se aprende com as diferenças, e não com as igualdades”. Essa frase, bastante significativa, é do renomado educador Paulo Freire e ilustra bem a iniciativa da Secretaria de Educação de Jaguariúna, que por meio do Programa de Apoio Suplementar Inclusivo (PASI) promoveu na quinta-feira (25/10) o 1º Encontro do Grupo Compartilhe.

O evento foi no anfiteatro do campus I do Centro Universitário Jaguariúna (UniFAJ) e reuniu pais e responsáveis por crianças com necessidades educacionais especiais matriculadas na rede municipal de ensino para discutir a importância do papel da família na inclusão social.

O tema foi abordado na palestra ministrada pela Dra. Raquel Guimarães Del Monde, que é médica pediatra e psiquiatra infantil. Conforme o conceito da inclusão social, a família é o primeiro grupo do qual o indivíduo faz parte e onde tem a oportunidade de aprender experiências positivas e negativas.

Nessa convivência são levados em conta afeto, estímulo, apoio, respeito, frustrações, limites, tristezas e perdas, pois todas contribuem para a formação de sua personalidade. É na família que acontece integração, amor, compreensão, confiança, estímulo e comunicação da relação, que são formas de proteção utilizadas para facilitar o processo de integração e participação do indivíduo nos diferentes grupos que compõem a sociedade.

Segundo Buscaglia*, “o papel da família estável é oferecer um campo de treinamento seguro, onde as crianças possam aprender a ser humanas, a amar, a formar sua personalidade única, a desenvolver sua autoimagem e a relacionar-se com a sociedade mais ampla e mutável, da qual e para a qual nascem”.

O nascimento de uma criança com necessidades especiais, gera uma reação diferente em cada membro da família, e na maioria das vezes há uma alteração no desempenho das funções porque, além de aprender a ser pai e mãe terão que aprender a serem pai e mãe de uma criança com necessidade especial.

Papel dos pais ou responsáveis

Nesse momento os pais precisam vivenciar todas as nuances da situação como o choro, a tristeza, a frustração do filho idealizado sem perder a esperança, que é seu sustento para não perderem a credibilidade em si mesmos e principalmente no filho. Diante dessa realidade, é importante que eles se tornem pais especiais e não pais deficientes, já que seus sentimentos e postura serão evidenciados entre eles, com os profissionais e a sociedade.

O grupo tem como objetivo compreender a experiência dos pais e responsáveis de crianças com necessidades especiais e compartilhar situações semelhantes às suas, para ajudar a entender com mais naturalidade e orientar aos pais ou responsáveis segundo uma visão pedagógica, facilitando assim a inclusão de seus filhos na vida escolar e social, além de promover a descoberta de novas relações entre pais e filhos, levando-os a melhorar sua qualidade de vida e autonomia.

Os encontros, de acordo com a Secretaria de Educação de Jaguariúna, terão continuidade, com o objetivo de focar a aprendizagem e esclarecer dúvidas sobre vários aspectos, como motivação, suporte emocional, sentimento de pertencimento, sentir com o outro e estabelecer um processo de reflexão. Com esse objetivo, a ideia do nome “Compartilhe” é justamente partilhar momentos.

Nesses momentos entram as conquistas e principalmente as superações, a aceitação, inserção social e responsabilidade, que vêm do amor e da ligação que a criança e o adolescente sentem em suas famílias. No grupo são desenvolvidos temas que contribuem para perceber a emoção dos filhos, a ressignificação dos sentimentos dos pais ou responsáveis por eles, o reconhecimento da emoção como uma oportunidade de intimidade e transmissão de experiência.

Dessa forma, pais, mães e os demais responsáveis, incluindo todos os familiares, aprendem a legitimar os sentimentos dos filhos, ajudando-os a nomear e verbalizar suas emoções e a saber dos direitos e deveres garantidos por lei. Os encontros ocorrerão bimestralmente e são um espaço a ser definido de acordo com a confirmação de presença, seguindo as sugestões dos participantes, e com convidados de diversas áreas para mediar o grupo.

  • Felice Leonardo Buscaglia (1924 – 1998) foi um professor italiano, que ministrou aulas na University of Southern California e que escreveu livros e artigos para o New York Times sobre assuntos como o amor, a mudança e o ser humano.

 

Reportagem: Aluízio Santana

Fotos: Ivair Oliveira