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Clipping - Correio Popular
Caderno Economia - 17/10/2006 Autor: Adriana Menezes Jaguariúna será pólo de ensino técnico
Cursos nas áreas da telecomunicação e da eletroeletrônica serão concentrados no município após investimento de R$ 4 mi A qualificação de mão-de-obra técnica em telecomunicações e eletroeletrônica, voltada para a indústria da região — o chamado “chão de fábrica” — é o foco do investimento de R$ 4 milhões da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que assina amanhã um convênio com o Ministério da Educação e a Prefeitura de Jaguariúna para fazer da cidade um pólo de formação técnica nessa área. O pacote inclui a transferência, para Jaguariúna, dos dois cursos criados há 12 anos em Campinas pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Telecomunicações e eletroeletrônica do Senai, portanto, fecham em Campinas para abrir em Jaguariúna, o município escolhido para centralizar esse tipo de formação. “Queremos fazer da cidade um pólo técnico para essas duas áreas”, afirma Rui Rabelo, diretor da Fiesp em Campinas. “Vamos concentrar em Jaguariúna.” O convênio será assinado amanhã, às 14h30, entre o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o ministro da Educação, Fernando Haddad, e o prefeito da cidade, Tarcísio Cleto Chiavegato. A falta de profissionais no mercado que não se dediquem exclusivamente ao desenvolvimento de pesquisa do setor levou a Fiesp a investir nessa formação de fábrica. Segundo Rabelo, antes de implantar uma escola, o Senai realiza pesquisa junto às indústrias da região. Baseada nesse levantamento (com dados fechados), a Fiesp detectou uma demanda não atendida. “Grande parte da população, antes de concluir o Ensino Médio, precisa de trabalho e começa a trabalhar cedo. Existe uma carência na indústria de mão-de-obra qualificada para o ‘chão de fábrica’. Esse problema afeta a produtividade. O que acontece hoje é que os universitários, por falta de emprego, preenchem essas vagas, mas eles poderiam ganhar mais com a formação que têm. Há, portanto, uma deficiência do trabalhador técnico. É preciso redefinir o nível técnico de todo o País”, defende Rabelo. Na prática, o Senai vai assumir o Centro Público de Educação Profissional (Cepep), órgão do governo federal, que já oferece os mesmos cursos técnicos em Jaguariúna, gratuitamente, desde 2003. O prédio, que pertence ao Ministério da Educação, já existe, mas passará por uma readaptação, além de receber novos equipamentos com mais tecnologia. O Cepep recebia subvenção do município e não era auto-financiado. Agora, a gestão administrativa e de ensino passa a ser do Senai, que deverá gerar seus próprios recursos. Os mesmos professores que davam aulas em Campinas, há 12 anos, levam também a experiência adquirida. Anualmente, serão oferecidas 320 vagas para os dois cursos técnicos de 18 meses, além de milhares de vagas em cursos rápidos complementares de diversas formações — gastronomia, plásticos, hotelaria, entre outros. O empresário Gilberto Antonio Possa, um dos sócios da empresa VeRSis — empresa ainda em formação que realiza testes em equipamentos de eletroeletrônicos —, confirma que existe pouca qualificação no mercado. “Não vejo formação específica para a indústria eletrônica. Nós somos obrigados a formar essa mão-de-obra”, diz Possa, que recebe reclamações de empresas que falam dessa dificuldade. Ele lembra que Campinas é pólo da indústria de montadoras de produtos eletrônicos, como computadores e instrumentação médica. “Na minha área de teste há pouca mão-de-obra qualificada. "Os cursos técnicos normalmente não estão voltados para o chão de fábrica. Falta preparar o profissional para a necessidade da indústria.” Na área de telecomunicações, no entanto, Possa afirma que há mais mão-de-obra que vagas. Essa demanda foi atendida na época da privatização das teles, na década de 90. Profissional diz que só fica sem emprego quem quer “O técnico hoje não fica desempregado aqui na região de Campinas. Com a quantidade de fábricas dessa área que existem, só fica sem emprego quem quer”, afirma o técnico em eletrônica Artur Emílio Fernandes Cordeiro, de 30 anos, que se formou em Barbacena (MG). Hoje ele faz faculdade no Centro Universitário Salesiano (Unisal) de Campinas e trabalha em uma empresa da sua área, também na cidade. Quando concluiu o curso técnico, há cerca de dez anos, Cordeiro se mudou para a capital mineira e trabalhou lá por dez anos. Em Campinas, começou a fazer seu curso universitário. “Aqui é muito bom”, avalia. Segundo Cordeiro, fazer um curso técnico foi fundamental para o seu trabalho. “Foi isso que me fez deslanchar na minha carreira”, afirma. Na universidade, Cordeiro diz que 90% dos seus colegas já trabalham em empresas da área na região. Essa situação de buscar mão-de-obra qualificada fora da cidade também deverá mudar a partir do pólo de formação técnica que a Fiesp pretende criar em Jaguariúna. (AM/AAN) |
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